LGPD para Engenharia de Dados: Como anonimizar dados nos seus pipelines
Desde que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entrou em vigor no Brasil, a responsabilidade saiu das mãos apenas do departamento jurídico e caiu no colo dos times de dados. Advogados escrevem as políticas de privacidade, mas são os Engenheiros de Dados que precisam garantir, tecnicamente, que um vazamento não ocorra.
O grande desafio da LGPD na engenharia de dados não é apenas proteger o banco de dados, mas sim garantir que os dados sensíveis (PII) sejam tratados corretamente durante todo o seu ciclo de vida, desde a extração até o dashboard final. Se o seu analista de BI consegue ver o CPF e o e-mail do cliente sem necessidade, sua empresa já está em risco.
O Princípio da Minimização e Anonimização
A lei brasileira é clara: você só deve coletar e expor os dados estritamente necessários para a finalidade do negócio. Para equipes de dados, isso significa implementar técnicas de anonimização de dados diretamente nos pipelines de ETL/ELT. O dado não pode chegar aberto no Data Warehouse se não houver uma justificativa legal forte.
3 Técnicas Essenciais para seus Pipelines
Para garantir o compliance e LGPD sem destruir a utilidade analítica dos dados, recomendamos três abordagens técnicas:
1. Mascaramento de Dados (Data Masking)
Ideal para ambientes de desenvolvimento ou dashboards operacionais. Você oculta parte da informação, mantendo o formato.
- Exemplo Prático: Transformar o CPF
123.456.789-00em..789-00. - Uso: Permite que o suporte valide a identidade do cliente sem ver o documento completo, ou que o QA teste o sistema sem expor dados reais.
2. Hashing (Criptografia Unidirecional)
Fundamental para Analytics. Muitas vezes, você precisa saber se o Cliente A é o mesmo que comprou ano passado, mas não precisa saber o nome dele. O Hashing transforma o dado em uma string ilegível.
- O “Pulo do Gato”: Use sempre um “Salt” (chave secreta adicional) antes de aplicar o Hash. Caso contrário, hackers podem usar “Rainbow Tables” para reverter o hash de CPFs brasileiros comuns.
3. Tokenização
Diferente do mascaramento, a tokenização substitui o dado sensível por um símbolo (token) que pode ser revertido apenas por um sistema seguro (o “Cofre”). É muito usado em transações de cartão de crédito.
Onde Aplicar a Segurança na Arquitetura?
Um erro comum é anonimizar o dado apenas na hora de criar o relatório. Isso é perigoso, pois o dado bruto sensível continua armazenado, vulnerável a ataques.
Observando a arquitetura acima, a melhor prática é aplicar a anonimização entre a etapa de Data Sources e o Data Warehouse. Idealmente, o dado sensível nunca deve ser persistido em sua forma original na camada de análise. Se um analista baixar uma planilha para o Excel, o risco de vazamento deve ser zero.
A Engenharia como Escudo Jurídico
No Brasil, multas por vazamento de dados podem chegar a R$ 50 milhões por infração. Investir em uma arquitetura segura é infinitamente mais barato do que pagar a multa e lidar com o dano à reputação.
Implementar essas camadas de segurança exige conhecimento avançado em criptografia, gestão de chaves (KMS) e arquitetura de nuvem. Muitas empresas tentam fazer isso internamente e acabam criando gargalos de performance ou falhas de segurança.
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